O DESIGNER
INSTRUCIONAL
Durante essa minha aventura
de aprender sobre EaD, conheci a existência de uma função até então por mim
desconhecida: designer instrucional.
Em princípio, pensei: meu Deus!
Estão confundindo educação com arquitetura e decoração. A educação está perdida
mesmo!
Mas, lendo sobre o processo de
produção de materiais para EaD, descobri que essa função é fundamental e que
deve ser exercida por um profissional que tenha conhecimentos pedagógicos e
domínio das tecnologias, em especial de ambientes de aprendizagem e suas
ferramentas. Aliás, andei pesquisando sobre postos de trabalho na EaD e
encontrei inúmeros anúncios, alguns quase clamando por designer instrucionais!
Ainda quero e preciso saber mais
sobre isso. Percebi que ser designer instrucional é ter, além de função
importante, grande responsabilidade sobre o processo ensino-aprendizagem de
muitas pessoas. Afinal, a EaD derruba barreiras e fronteiras e leva com
ela uma equipe composta por muitos profissionais,
entre os quais, o designer instrucional.
Entre os textos que li e as
teleaulas que assisti a esse respeito, selecionei um artigo considera-lo de
fácil linguagem, curto e objetivo. Ele foi escrito em 22 de maio de 2001, por
Gilda Helena B. de Campos. No ensejo da publicação, a autora se identificou
como membro do CCEAD-PUC-Rio,
pesquisadora colaboradora da COPPE/UFRJ, consultora de projetos de EAD e
universidades corporativas.
O artigo está disponível na Revista TI, cujo endereço eletrônico é: http://www.timaster.com.br/revista/artigos/main_artigo.asp?codigo=359&pag=2
Eis o artigo na integra:
O design instrucional tem sido
apontado como um dos elementos mais importantes no processo de desenvolvimento
de projetos de educação à distância. Tenho conversado com alguns especialistas
que demonstram preocupação com a dificuldade de incorporar ferramentas
síncronas e assíncronas na modelagem de seus cursos, dificuldades com a tutoria
e com o feedback para os alunos que estão à distância. Esta preocupação,
acredito, é no sentido de relacionar a aquisição de habilidades mentais básicas
à aquisição de conhecimento.
Projetos de EAD que visam a
construção de conhecimento podem fazer uso do design como ferramenta cognitiva.
Este mês, vamos apresentar dois modelos de design instrucional, evidenciando a
forma pela qual os autores em EAD podem procurar especificar seus conteúdos.
Um pouco de história:
O design instrucional pode ser
definido como um ciclo de atividades, um plano geral de curso, incluindo
seqüência e estrutura de unidades, os principais métodos a serem usados em cada
aula, o grupo de estruturas e, o controle e avaliação do sistema.
Na década de 70, alguns autores
acreditavam que o design era essencialmente racional, lógico, um processo
seqüencial voltado para a resolução de problemas. Atualmente, vê-se o design
como uma atividade compartilhada pela equipe envolvida no processo de geração
de ambientes de aprendizagem mediados pela tecnologia, em última análise, a
equipe envolvida em educação à distância.
Mas, o que é o design? Se
partirmos do princípio que o design é um processo, podemos admitir que são
necessários modelos para fornecer procedimentos para produção sistemática de
informação, incorporando elementos fundamentais da instrução como análise da
população alvo, determinação de objetivos, entre outros procedimentos. Podemos
ver estes modelos em um nível macro, onde discute-se um projeto inteiro, ou em
nível micro, quando falamos de um curso.
O design tradicional, usualmente,
trata o aluno como parte de um conjunto de alunos com condições e limites
semelhantes. Alguns modelos adaptativos medem o progresso individual frente a
objetivos de aprendizagem, porém esta não é a regra geral. A avaliação assume
um objetivo universal para a instrução e mede a capacidade do aluno de alcançar
determinado objetivo.
As fases clássicas do
desenvolvimento de um programa à distância podem ser divididas em:
1) Fase de análise: é a base de todas as outras fases.
Durante esta etapa o problema deve ser analisado, as fontes do problema devem
ser identificadas e as possíveis soluções devem ser determinadas. Suas saídas
são as entradas para a fase de projeto;
2) Fase de projeto: envolve a definição de como alcançar os
objetivos determinados durante a análise e expandir a fundamentação
instrucional. É parte desta etapa: descrever a população alvo, conduzir a
análise da aprendizagem, escrever os objetivos e itens de teste, selecionar o
sistema de saída e dar seqüência à instrução;
3) Fase de desenvolvimento: tem como suporte as fases de
análise e de projeto. O objetivo é gerar o plano e os materiais da lição. Nesta
fase serão desenvolvidas a instrução, as mídias usadas e a documentação. Pode
incluir também hardware e software.
4) Fase de implementação: refere-se à efetiva entrega para
uso da instrução. Esta fase deve fornecer aos alunos compreensão do material,
suporte aos objetivos e garantia aos alunos da transferência de conhecimento do
conjunto instrucional para o trabalho.
5) Avaliação: é a fase que mede a eficiência da instrução.
Deve ocorrer ao longo de todo o processo do design instrucional - dentro das
fases, entre as fases e após a implementação. A avaliação pode ser formativa ou
somativa. Avaliação formativa ocorre durante e entre as fases. Avaliação
somativa, em geral, ocorre após a versão final da implementação. Este tipo de
avaliação verifica a eficiência da instrução.
O produto da Fase de análise é a
definição do modelo instrucional, onde são especificadas as características do
conteúdo e do aprendiz. Em geral, os princípios do projeto são aplicados em
contextos e conteúdos diversos. A seqüência de instrução é especificada com
base na dependência lógica do domínio de conhecimento e na hierarquia dos
objetivos da aprendizagem.
Alguns
autores procuram agrupar estas fases de outra forma, como mostramos abaixo, mas
acredito que não existam teorias e modelos educacionais que possam ser
diretamente implementados e, tampouco, uma ferramenta tecnológica que permita a
implementação simples de material educacional. É um processo com três fases:
avaliação das necessidades, projeto e desenvolvimento da instrução. Todas as
fases envolvem um processo de avaliação e de revisão.
Concluindo,
alguns autores consideram que os sistemas voltados para o design instrucional,
devido à sua natureza prescritiva, resultam em materiais instrucionais
estruturados corretamente com foco no conteúdo a ser ensinado, ao invés de
serem utilizados em ambientes interativos. Esta é uma questão polêmica que nos
leva a discutir as teorias de aprendizagem.
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