quarta-feira, 31 de outubro de 2012


O DESIGNER INSTRUCIONAL

                Durante essa minha aventura de aprender sobre EaD, conheci a existência de uma função até então por mim desconhecida: designer instrucional.
Em princípio, pensei: meu Deus! Estão confundindo educação com arquitetura e decoração. A educação está perdida mesmo!
Mas, lendo sobre o processo de produção de materiais para EaD, descobri que essa função é fundamental e que deve ser exercida por um profissional que tenha conhecimentos pedagógicos e domínio das tecnologias, em especial de ambientes de aprendizagem e suas ferramentas. Aliás, andei pesquisando sobre postos de trabalho na EaD e encontrei inúmeros anúncios, alguns quase clamando por designer instrucionais!
Ainda quero e preciso saber mais sobre isso. Percebi que ser designer instrucional é ter, além de função importante, grande responsabilidade sobre o processo ensino-aprendizagem de muitas pessoas. Afinal, a EaD derruba barreiras e fronteiras e leva com ela  uma equipe composta por muitos profissionais, entre os quais, o designer instrucional.
Entre os textos que li e as teleaulas que assisti a esse respeito, selecionei um artigo considera-lo de fácil linguagem, curto e objetivo. Ele foi escrito em 22 de maio de 2001, por Gilda Helena B. de Campos. No ensejo da publicação, a autora se identificou como membro do CCEAD-PUC-Rio,  pesquisadora colaboradora da COPPE/UFRJ, consultora de projetos de EAD e universidades corporativas.
O artigo está disponível na Revista TI, cujo endereço eletrônico é: http://www.timaster.com.br/revista/artigos/main_artigo.asp?codigo=359&pag=2

Eis o artigo na integra: 

O design instrucional tem sido apontado como um dos elementos mais importantes no processo de desenvolvimento de projetos de educação à distância. Tenho conversado com alguns especialistas que demonstram preocupação com a dificuldade de incorporar ferramentas síncronas e assíncronas na modelagem de seus cursos, dificuldades com a tutoria e com o feedback para os alunos que estão à distância. Esta preocupação, acredito, é no sentido de relacionar a aquisição de habilidades mentais básicas à aquisição de conhecimento.
Projetos de EAD que visam a construção de conhecimento podem fazer uso do design como ferramenta cognitiva. Este mês, vamos apresentar dois modelos de design instrucional, evidenciando a forma pela qual os autores em EAD podem procurar especificar seus conteúdos.
Um pouco de história:
O design instrucional pode ser definido como um ciclo de atividades, um plano geral de curso, incluindo seqüência e estrutura de unidades, os principais métodos a serem usados em cada aula, o grupo de estruturas e, o controle e avaliação do sistema.
Na década de 70, alguns autores acreditavam que o design era essencialmente racional, lógico, um processo seqüencial voltado para a resolução de problemas. Atualmente, vê-se o design como uma atividade compartilhada pela equipe envolvida no processo de geração de ambientes de aprendizagem mediados pela tecnologia, em última análise, a equipe envolvida em educação à distância.
Mas, o que é o design? Se partirmos do princípio que o design é um processo, podemos admitir que são necessários modelos para fornecer procedimentos para produção sistemática de informação, incorporando elementos fundamentais da instrução como análise da população alvo, determinação de objetivos, entre outros procedimentos. Podemos ver estes modelos em um nível macro, onde discute-se um projeto inteiro, ou em nível micro, quando falamos de um curso.
O design tradicional, usualmente, trata o aluno como parte de um conjunto de alunos com condições e limites semelhantes. Alguns modelos adaptativos medem o progresso individual frente a objetivos de aprendizagem, porém esta não é a regra geral. A avaliação assume um objetivo universal para a instrução e mede a capacidade do aluno de alcançar determinado objetivo.
As fases clássicas do desenvolvimento de um programa à distância podem ser divididas em:
1) Fase de análise: é a base de todas as outras fases. Durante esta etapa o problema deve ser analisado, as fontes do problema devem ser identificadas e as possíveis soluções devem ser determinadas. Suas saídas são as entradas para a fase de projeto;
2) Fase de projeto: envolve a definição de como alcançar os objetivos determinados durante a análise e expandir a fundamentação instrucional. É parte desta etapa: descrever a população alvo, conduzir a análise da aprendizagem, escrever os objetivos e itens de teste, selecionar o sistema de saída e dar seqüência à instrução;
3) Fase de desenvolvimento: tem como suporte as fases de análise e de projeto. O objetivo é gerar o plano e os materiais da lição. Nesta fase serão desenvolvidas a instrução, as mídias usadas e a documentação. Pode incluir também hardware e software.
4) Fase de implementação: refere-se à efetiva entrega para uso da instrução. Esta fase deve fornecer aos alunos compreensão do material, suporte aos objetivos e garantia aos alunos da transferência de conhecimento do conjunto instrucional para o trabalho.
5) Avaliação: é a fase que mede a eficiência da instrução. Deve ocorrer ao longo de todo o processo do design instrucional - dentro das fases, entre as fases e após a implementação. A avaliação pode ser formativa ou somativa. Avaliação formativa ocorre durante e entre as fases. Avaliação somativa, em geral, ocorre após a versão final da implementação. Este tipo de avaliação verifica a eficiência da instrução. 
O produto da Fase de análise é a definição do modelo instrucional, onde são especificadas as características do conteúdo e do aprendiz. Em geral, os princípios do projeto são aplicados em contextos e conteúdos diversos. A seqüência de instrução é especificada com base na dependência lógica do domínio de conhecimento e na hierarquia dos objetivos da aprendizagem.
                Alguns autores procuram agrupar estas fases de outra forma, como mostramos abaixo, mas acredito que não existam teorias e modelos educacionais que possam ser diretamente implementados e, tampouco, uma ferramenta tecnológica que permita a implementação simples de material educacional. É um processo com três fases: avaliação das necessidades, projeto e desenvolvimento da instrução. Todas as fases envolvem um processo de avaliação e de revisão.
                Concluindo, alguns autores consideram que os sistemas voltados para o design instrucional, devido à sua natureza prescritiva, resultam em materiais instrucionais estruturados corretamente com foco no conteúdo a ser ensinado, ao invés de serem utilizados em ambientes interativos. Esta é uma questão polêmica que nos leva a discutir as teorias de aprendizagem.  

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