BLOGS
COMO FERRAMENTA DE INTERAÇÃO
O
blog é uma ferramenta cultural que
possibilita autoria, interatividade e visibilidade de produções apresentadas em
forma de texto e de diferentes linguagens midiáticas (fotos, vídeos etc). Como
instrumento de aprendizagem, se constitui
num verdadeiro processo de alfabetização digital.
Um
recurso característico dos blogs é a
possibilidade de interação do visitante, respondendo ou opinando sobre os
artigos (posts) publicados. Sendo um
espaço público, os posts publicados
nos blogs exigem atenção quanto à
linguagem e às ideias veiculadas, o que propicia a pesquisa e a reflexão
crítica sobre o que se escreve. Além disso, oportuniza a construção do
conhecimento pelo diálogo, realizado por meio dos comentários dos posts.
Para
realização do Desafio de Aprendizagem proposto no curso de pós-graduação em Metodologia e Gestão em Educação a Distância, da Faculdade Anchieta/Anhanguera, foi solicito a cada estudante que,
individualmente, pesquisasse na internet, blogs
ativos que tratassem dos assuntos discutidos no módulo em estudo. Entre os blogs encontrados, o estudante deveria
selecionar e acompanhar 2 (dois) por um determinado período de tempo. Tal
acompanhamento consistia na realização de comentários sobre os posts inseridos nos blogs e na interação com as pessoas que deles participassem, sempre
que possível. Ao final do período determinado, cada estudante deveria criar seu
próprio blog e postar nele um texto
relatando a experiência.
Os blogs selecionados para realização desse Desafio de Aprendizagem
foram:
Os
assuntos selecionados para postagens dos comentários foram:
a) 18/07/2012
– EaD e a formação de professores.
b)
28/07/2012 – GT de Educação no Fisl 13 e o uso de software livre por professores.
c)
19/08/2012 – “Os múltiplos papéis do professor em educação a distância”.
2) Blog
do Instituto EADVIRTUAL – Ensino e Pesquisa Ltda. Trata-se de uma instituição
que se dedica ao desenvolvimento de projetos de capacitação profissional nas
mais diversas áreas de conhecimento. Nos últimos anos, vem ganhando destaque
pela oferta de seus cursos de formação profissional a distância. O endereço do
blog é: http://www.educacaoadistancia.blog.br
Os
assuntos selecionados para postagens dos comentários foram:
a)
11/07/2012 - 18º. Congresso Internacional de EaD.
b)
29/07/2012 – Criação do Instituto de Mídias Digitais pela USP.
c)
19/08/2012 – Evasão nos cursos de EaD.
d)
03/09/2012 – O uso dos tablets na
educação.
3) Blog de João Mattar – prof. PhD da
Universidade Anhembi-Morumbi, do programa de pós-graduação da Faculdade
Anchieta/Anhanguera, entre outros.
O
artigo lido e selecionado para postagem de comentário foi: A História da EaD.
E assim se deu a criação
desse blog.
Confesso que inicialmente não gostei muito da proposta mas, com o
passar do tempo, percebi a riqueza do desafio na medida em descobria
coisas muito interessantes sobre a EAD.
REFLETINDO SOBRE A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
O
Desafio de Aprendizagem proposto pelo curso de pós-graduação em Metodologia e
Gestão em EaD foi, de fato, um grande desafio. Inicialmente, foi preciso
superar a falta de tempo para a pesquisa e a falta de habilidade para o uso das
ferramentas de comunicação e interação disponíveis na internet, entre as quais,
os blogs. Além disso, eram muitas
tarefas a cumprir ao mesmo tempo: encontrar na internet os blogs sobre EaD, assistir as teleaulas, ler os textos disponíveis na
Palavra Digital, realizar todas as outras coisas do cotidiano: trabalhar,
trabalhar, trabalhar, trabalhar....
Gradativamente,
as pesquisas sobre os blogs e nos blogs selecionados foram transformando os difíceis desafios em descobertas
motivadoras, na medida em que os assuntos discutidos nos blogs selecionados, bem como os temas apresentados pelos
professores nos módulos foram ganhando mais significado.
De
leitura em leitura, de discussão em discussão, de comentário em comentário, foi
possível perceber que a internet se constitui como espaço educacional virtual valioso,
na medida em que possibilita trocas, por meio de suas múltiplas formas e ações,
com interfaces relativamente fáceis de serem aplicadas, gratuitas na maioria
dos casos, simples de atualizar e abertas ao compartilhamento de informações,
conhecimentos e opiniões, que servem de instrumento não só para melhorar a
comunicação entre as pessoas, mas para ampliação da visão de mundo e também para
o desenvolvimento científico e tecnológico. Afinal, quem faz ciência é o homem,
a partir de sua curiosidade e de sua imensa capacidade de criar e de se
comunicar.
No
universo da internet são criados os blogs.
Estes se constituem em ferramentas
virtuais que permitem as pessoas se
posicionarem diante de toda e qualquer questão por meio de posts, que podem ser contestados ou não. Se bem aproveitados,
trata-se da tecnologia a serviço da formação pessoal e profissional das pessoas.
O
uso dos blogs como forma de
comunicação permite ampliar a possibilidade de diálogo entre as pessoas que
participam de uma blogosfera. Ou seja, os blogs
permitem que qualquer pessoa, com ou sem nenhum conhecimento técnico, publique
suas idéias e opiniões na Web e que milhões de outras pessoas publiquem
comentários sobre o que foi escrito, criando um grande debate aberto a todos.
Por
meio dos blogs selecionados, foi
possível conhecer e participar, ora intensamente, ora mais discretamente, de discussões
e debates acerca de várias questões relacionadas a EaD.
Nessas
interações, uma descoberta muito significativa refere-se ao papel da EaD no
Brasil e no mundo. Pode-se afirmar que, no atual contexto, a educação vem
sofrendo grandes modificações advindas da experiência vivenciada com a educação
a distância. Tais transformações resultam da multiplicidade dos recursos,
linguagens e discursos utilizados nas relações e conexões estabelecidos entre
os usuários dessa modalidade de educação. Na verdade, a educação a distância
está abalando alguns pilares que sempre sustentaram a educação a educação
institucionalizada, entre os quais, o papel do professor no processo de
ensino-aprendizagem.
Para
que possamos compreender a importância da EaD, faz-se necessário refletir sobre
o conceito de educação e o papel que essa detém no desenvolvimento da pessoa
humana e da sociedade.
Segundo
Freire (1975), educação é a reflexão sobre a realidade existencial. Para
Pimenta (2011), educação é um processo civilizatório que se dá nas relações
humanas estabelecidas no convívio familiar, no trabalho, nos movimentos
sociais, nas manifestações culturais. De modo formal e institucionalizado, é
oferecida por profissionais devidamente habilitados alocados nas escolas.
O
objetivo da educação, segundo o artigo 2º. Da L.D.B. 9394/96, é “o pleno
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho”.
Há
de se considerar que, nos dias atuais, o conhecimento ganhou papel relevante,
em especial no mundo corporativo, impulsionando o mercado de trabalho para uma
nova tendência, concentrada na valorização da competência do trabalhador. A
partir da disseminação da informática, o conhecimento passou a ocupar o centro
das atenções à proporção em que as tecnologias da informação tornaram-se
aceleradores da criação e divulgação de novas formas de produzir e distribuir
bens. Além disso, as tecnologias de comunicação e informação estreitaram as
relações sociais, exigindo das pessoas capacidades que as permitam convier e
interagir com as pessoas e grupos sociais de diferentes origens,
características e costumes.
Nesse
contexto, a educação tem um papel fundamental a exercer. Cabe a ela desenvolver
a capacidade individual dos sujeitos de interagir, respeitar e lidar com as
diferenças, bem como de utilizar as novas tecnologias, sendo capaz de codificar,
discernir e se posicionar diante das informações e mensagens transmitidas pelas
mídias, tão presentes nos lares, no trabalho e nos espaços sociais.
De
acordo com o artigo 80 da L.D.B. 9394/96, nas instituições formais de ensino
brasileiras, a educação básica (que abrange a educação infantil, ensino
fundamental e ensino médio), e superior (graduação e pós-graduação) pode ser
oferecida em duas modalidades: presencial e a distância.
A
modalidade presencial, conhecida como ensino convencional, como o próprio nome
diz, tem como principal característica a proximidade física, ou seja,
professores e alunos encontram-se sempre em um mesmo local físico, chamado sala
de aula, em horários pré- determinados.
A
modalidade a distância caracteriza-se pelo distanciamento físico-temporal, ou
seja, professores e alunos são separados fisicamente no espaço e/ou no tempo,
podendo ou não ocorrer momentos presenciais.
De
acordo com Moran (2009), é prerrogativa da educação a distância o uso das
tecnologias de comunicação e informação para superar distâncias. Isso significa
que, no momento em que o tempo nem sempre é suficiente para a realização das inúmeras
tarefas cotidianas, a educação a distância (EaD) se constitui um recurso
fundamental, pois permite o acesso às instituições de ensino e pesquisa
daqueles que, por indisponibilidade de
tempo nos horários convencionais de aulas, ou por se situarem distantes
geograficamente das escolas, se encontram excluídos do sistema educacional.
Segundo
Mattar (2007), a EaD também tem sido utilizada para a implementação de projetos
educacionais diversos, tais como: cursos profissionalizantes, capacitação para
o trabalho, divulgação científica, campanhas de alfabetização e estudos formais
em todos os níveis e campos da educação formal e não formal. Essa modalidade de
educação também está presente em muitas empresas que, no intuito de garantir um
processo contínuo de capacitação e atualização dos seus funcionários, criaram
seus próprios núcleos de educação a distância.
Na medida em que avançam as
tecnologias de comunicação virtual (que conectam pessoas que estão distantes
fisicamente como a Internet, telecomunicações, videoconferência, redes de alta
velocidade) o conceito de presencialidade também se altera. Podemos ter
professores externos compartilhando determinadas aulas, ou seja, um professor pode
entrar com sua imagem e voz, na aula de outro professor, independente da
distância física. Assim, é possível haver um intercâmbio de saberes, na medida
em que professor colabora, com seus conhecimentos específicos, no processo de
construção do conhecimento, muitas vezes a distância (Moran, 2002).
Vale lembrar que, diferente de
países como Inglaterra, Espanha, Venezuela, a regulamentação da EaD no Brasil é
recente. O uso orgânico da modalidade a distância em todos os níveis e
modalidades de ensino só foi previsto no
artigo 80 da L.D.B.9394/96. A partir daí, o governo federal tem promovido
esforços para consolidar a EaD no País, estabelecendo valores, parâmetros,
normas e referenciais de qualidade.
Após
1996, a EaD se expandiu rapidamente em todo o território nacional. Dados do
Ministério da Educação revelam que, em 2009, havia 1 (hum) milhão de alunos
matriculados em cursos superiores a distância, distribuídos em 250 instituições
autorizadas. Isso significa que, apesar de ainda ser novidade, a EAD está
consolidada no Brasil.
Embora
a EaD tenha como eixos norteadores autonomia e interatividade, os Referenciais
de Qualidade para Educação Superior a Distância (MEC, 2007), afirmam que não há
um único modelo de educação à distância. Sendo assim, os cursos e programas a
distância podem apresentar diferentes desenhos e múltiplas combinações de
linguagens e recursos educacionais e tecnológicos.
O
Ministério da Educação esclarece
A
natureza do curso e as reais condições do cotidiano e necessidades dos alunos
são os elementos que irão definir a melhor tecnologia e metodologia a ser
utilizada, bem como a definição dos momentos presenciais necessários
obrigatórios, para estágios supervisionados, práticas em laboratórios de
ensino, tutorias presenciais nos pólos descentralizados de apoio presencial e
outras estratégias.(BRASIL, 2007, p.7)
Entretanto,
mesmo tendo as necessidades dos alunos como importante elemento na definição do
modelo, da tecnologia e metodologia a serem utilizadas nos cursos e programas
de EaD, a evasão de estudantes, em especial no ensino superior, ainda é o maior
problema dessa modalidade de educação no Brasil, segundo dados do Censo EAD.br
2010. As razões desse fenômeno ainda
estão em estudo. Mas, muitas pessoas apontam a falta de autonomia dos alunos e
a dificuldade de organizar o tempo como principais causas dessa evasão.
Considerando que essas sejam aprendizagens que deveriam ter ocorrido ainda na
educação básica, nota-se que é preciso rever com cuidado as práticas de ensino,
a relação professor-aluno, bem como as formas de avaliação praticadas nesse
nível de ensino, tão marcado pelas formas tradicionais de ensinar.
Apesar
da liberdade para criar linguagens e formatos, a legislação em vigor exige que
os programas e cursos a distância oferecidos no Brasil tenham gestão, projeto pedagógico,
currículo, acompanhamento, avaliação, além de recursos técnicos, tecnológicos e
de infra-estrutura, que permitam aos alunos, professores e tutores interagirem.
Aliás,
a interação é o cerne de todo processo educacional, que dirá na modalidade a
distância, onde o aluno é desafiado a, sozinho, diante de uma tela de
computador, em local e horário de livre escolha, colocar em prática sua
capacidade de aprender.
Benedetti (2012) afirma que a aprendizagem
é um processo individual e próprio e que para aprender, o estudante precisa ter
motivação e autonomia para buscar informações e transforma-las em conhecimento.
No entanto, quando há vínculos, interação, compartilhamento e ajuda mútua, a
aprendizagem se torna mais prazerosa e pode ocorrer mais rápida, fácil e
significativamente.
Partindo desse pressuposto, há de se
pensar: como usar as tecnologias de comunicação e informação de modo a superar,
de fato, a distância entre os estudantes e os educadores da EAD? É possível
promover aprendizagem em rede?
Essas são questões que devem se
manter na pauta dos educadores, pesquisadores e criadores das politicas
públicas para a educação a distância, bem como dos estudantes que se interessam
por essa modalidade de educação, a fim de torrna-la cada vez mais interativa,
compartilhada e democratizada.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma possibilidade interessante de
estimular a autonomia dos estudantes, promover interação e constituir uma
comunidade de aprendizes foi proposta pelo curso de pós-graduação em
Metodologia e Gestão em Educação a Distância, oferecido pela Faculdade
Anchieta/Anhanguera, em que cada estudante deveria colocar em prática sua
capacidade de pesquisar e se integrar na comunidade virtual por meio de blogs.
Esse
desafio foi vencido e por meio dessa experiência, foi possível concluir que a
EaD embora ainda uma novidade no Brasil, está consolidada, apesar das
resistências de muitas pessoas e grupos sociais, em especial de educadores.
É
inegável as possibilidades que essa modalidade de educação oferece aos
estudantes e educadores na medida em que as ferramentas disponíveis no mundo
virtual são inseridas e utilizadas pedagogicamente nos cursos e programas a
distância. A experiência vivida por meio desse Desafio é prova disso, pois, por
meio dele, foi possível conhecer e compreender um pouco da complexidade que
envolve a EaD. Também foi possível saber que há muitos profissionais, em várias partes do mundo,
envolvidos nas múltiplas questões que permeiam a implementação e manutenção da
EaD, bem como sua melhoria e desenvolvimento, como aqueles que participarão do
18º. Congresso Internacional de EAD, que acontecerá em São Luis, no Maranhão,
entre os dias 23 e 26 de setembro de 2012.
Foi
muito bom saber que a Universidade de São Paulo tem a intenção de criar um Instituto
de Mídias Digitais da Universidade, com o objetivo de permitir que suas
faculdades ofereçam cursos abertos. Que a partir da iniciativa desta que é uma
das mais respeitadas universidades do país seja um marco no processo de
evolução, desenvolvimento e ampliação da EaD no Brasil, de modo que essa
modalidade se torne, de fato, veículo de da democratização da educação.
BIBLIOGRAFIA
BENEDETTI, Cláudia; MORAN, José Manuel. Fundamentos, políticas e legislação em EAD. Departamento de
Extensão e Pós-Graduação. Anhanguera Educacional, 2012. Disponível em:
<http://anhanguera.com>. Acesso em: 1 de fevereiro de 2012.
FREIRE,
Paulo. Educação como prática da liberdade.
5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1975.
MATTAR, João. Educação A Distância
no Brasil e no Mundo. Valinhos, p. 1-56, 2012. Disponível em:
<http://anhanguera.com>. Acesso em: 1 de fevereiro de 2012.
ROESLER,
Jucimara. Referenciais de Qualidade na
Educação Superior a Distância.
Departamento de Extensão e Pós-Graduação. Valinhos, SP: Anhanguera Educacional,
2011. Disponível em: www.anhanguera.br.
Acesso em 1 de fevereiro de 2012.
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